30 março 2017

[Resenha] O Circo Mecânico de Tresaulti


O livro foi escrito em 2011 porém só chegou no Brasil em 2015 pela editora Darkside. A história é ambientada em um mundo pós apocalíptico que não vai ser apresentado nem desenvolvido pela autora. E apesar dessa realidade fazer parte da obra, ela será perceptível como pano de fundo ao longo da trama. Essa é uma das características da autora que chama muita atenção. Ela não perde muito tempo explicando os fatos do que esta acontecendo, simplesmente joga as situações na narrativa e  o leitor tem de ficar bem atento se quiser respostas para as perguntas elaboradas durante a leitura. Outro ponto bem interessante é a escrita fragmentada.






Em meio  a guerra  que devastou a maioria das cidades, o mundo tenta se reconstruir. Os habitantes buscam por esperança e nessa busca tentam se reinventar. Alguns conseguem, porém existe um preço alto a ser pago. Boss é nome da líder de uma trupe de circo que ajuda a muitos a esquecer o horror e as sequelas deste tempo tão massacrante. Seja por suas apresentações ou por sua habilidade de restaurar partes do corpo humano que por conta da guerra muitos perderam. Ela consegue fazer um braço, com partes de metal, utiliza molas e outros acessórios que para muitos não parecem ter nenhuma utilidade. Mas em suas mãos tem dom de quase imortalidade. E para fazer parte desse circo tem de ter algum tipo de intervenção feita por ela. Essa transformação faz as pessoas se tornarem bem peculiares. Fazendo assim, as  apresentações   mágicas e por um certo tempo trazer conforto e esperança  para um povo que  esta totalmente desiludido com o  mundo em que estão. Porém, um governo ambicioso vendo  vantagem nessa habilidade tenta a todo custo prender  a dona desse dom para usar esse conhecimento como arma de destruição.






Essa edição da editora Darkside não poderia ser mais perfeita. A capa do livro é em alta e baixo relevo tendo em algumas partes verniz. A lombada é simples não contendo o titulo do livro. Gostei muito da diagramação facilitou muito durante a leitura. O que chama mais atenção no livro e dar uma charme ainda maior são as ilustrações que foram feitas pelo brasileiro Wesley RodriguesA narrativa não segue uma ordem temporal não tendo progressão dos fatos como estamos acostumados. Ainda tem a mescla  na narrativa em  1ª e 3ª pessoa. Por este motivo é que se o leitor não estiver aberto a este livro não ira se conectar a ele.




A leitura em si nos chama à reflexões importantes. Como nós, só somos humanos enquanto temos arte. A arte é uma das formas que mais expressa nossa humanidade e quando a mesma esta intrínseca em nós, nos tornamos mais empáticos, felizes e de fácil entendimento com as dores do outro.

Até mais ou menos a metade da leitura, eu ainda estava perdida, muitas vezes não sabia quem estava narrando a história. E mesmo no final, resolvendo muitas questões ficam ainda muitas pontas soltas. Foi neste momento que compreendi a grandiosidade desta escritora. Ela nos propõe, que juntos costuremos esse final. Como se nos tornássemos personagens da história de alguma forma, que em alguns momentos fui tentada a pensar que era sim, uma das pessoas modificadas do circo. É uma leitura até poética, e que sim, exige que o leitor realmente queira ler esta obra. Do contrário ele não entenderá o melhor do que esta sendo mostrado nesse mundo que Genevieve nos insere.



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